Segunda-Feira: Avião
Ao embarcar no avião, sento-me ao lado de uma maranhense muito simpática, entretanto com um sotaque em que você segura pra não rir. Pra ter idéia, aqui fala-se um “ehn-ehn” que equivale ao nosso “aham” e ao “ahn-ahn”. Exatamente, vale pros dois, tanto pra sim quanto pra não. É quase impossível distinguir isso logo no primeiro dia. Estou no terceiro dia e ainda não consegui.
Ou seja, eu sofri. Sofri pra não começar a rir descontroladamente do sotaque da senhora. Ela me dizia coisas maravilhosas sobre aqui, e seu filho me dizia que não tinha o que ver e que só tinha mulher feia. E mais tarde descobri que era verdade.
Cheguei ao Machadão por volta das 1:00, pegamos as malas, encontramos meus tios e chegamos à casa de um deles. Uma rápida conversa e um descanso ao longo da noite.
Terça-Feira: Casa do Cabeção
Na terça fomos almoçar na casa do Cabeça. Ele veio até aqui e nos levou de carro. Chegando lá falei com a Drika, conheci o Xandinho, meu mais novo primo, falei com outras pessoas, afinei o violão, brinquei com meus outros primos, liguei o note pra instalar uns programas e o almoço estava pronto.
Após almoçar, voltei pro PC e jogamos Carmageddon. Paramos e fomos jogar bola. De maneira excêntrica, digamos.
À noite voltamos pra casa do Careca, lanchamos e contamos piadas. Piadas simples e maldosas, como o do português que foi pagar o imposto de renda na fonte e morreu afogado ou do menino que achava ser de chiclete mas não era demente; era demorangue.
Após fiz uma arte pro meu tio transformar em adesivo já que acordaria às 4 da manhã no dia seguinte.
Quarta-Feira: Interior do meu avô*
Na quarta, dia de São Sebastião, meu avô quis ir pra sua cidade natal, Peri Mirim, a oeste de São Luís, cujo padroeiro é São Sebastião. Seria simples se fôssemos de Ferry Boat (barca legal onde entra carros), mas não conseguimos a passagem e por isso tivemos que acordar às 4:00. Cabeção chegou por volta das 4:15 e seguimos viagem sob a luz das estrelas.
Como eu disse antes, se tivéssemos pego o Ferry Boat, andaríamos em linha reta, atravessando a baía de São Marcos e seguido para o oeste. Entretanto, não há saída da ilha para o Oeste, não por via de pontes. Então, tivemos que sair para o Sul, Oeste e norte, fazendo um verdadeiro U.
Depois de 350Km de buracos escondidos, quebra-molas despercebidos e asfalto bom – não posso reclamar de tudo – chegamos a Peri Mirim, por volta das 8:30. Sim, tivemos uma média de velocidade de aproximadamente 90Km/h.
Chegamos e fomos direto à casa de uma prima de meu avô, minha prima-avó (?), depois à casa de outra parenta e às 9:00 fomos à missa. Durante a missa começou a chover bastante na cidade. Entendam da forma que quiserem.
Ao término, ainda chovia e fomos pro interior do interior. Meu avô me mostrou a casa onde ele nasceu. Era longe. Muito longe. No caminho, paramos pra esperar a travessia de vacas e porcos.
O índice demográfico de porcos na cidade é extremamente maior que a de cachorro. Ficamos lá um dia inteiro e só vimos 4 cachorros na cidade inteira. Sobre os porcos, era impossível contabilizar. O mais incrível é que os porcos eram criados soltos, na rua. Principalmente na periferia da cidade. Imagino o que acontece quando se atropela um porco: Pega-se a carne ou a prepara e devolve ao dono, como desculpas? Será que vira uma feijoada para as duas famílias?
Voltando a falar do interior do meu avô*, andamos, andamos e andamos até chegar. Um lugar bonito, admito. Pena que o local não condiz com a beleza da população.
Voltamos, almoçamos pato – essa é pra você, Luiz Felipe – e fomos atrás de um rio. Rodamos e não achamos. Mas junto com a gente, logo atrás, na moto, tinha uma mulher bonita. É sério, gente, já era meu segundo dia no estado, passei por dentro de um monte de municípios e SÓ ACHEI UMA MULHER BONITA! PUTA MERDA! Maranhenses que me desculpem, MAS ÔH POVO FEIO!!!!
Feito tudo que queríamos, hora de voltar pra casa. Mas dessa vez de Ferry Boat. 40 minutos até a margem da baía e chegamos às 15h. A barca só saía às 16. Mas atrasou. 17:10 e seguimos viagem até São Luís. Com o mar um pouco agitado, balançamos pelas águas, mas o sol poente deu beleza à viagem.
Atracamos no porto, entramos no carro e fomos pra casa. Nisso uma mulher fecha o meu tio e o olha de cara feia. Ele fica e revoltado e só tenho tempo de pensar “FODEU!”. Meu tio não ficou com medo, até porque, se tivesse medo de cara feia não olhava pro espelho.
Ele ficou com aquilo na cabeça: “Vou atrás daquela mulher, vou atrás daquela mulher...”. Até que conseguiu emparelhar com a mulher. Abriu o vidro direito, buzinou e fez uma careta. UMA CARETA! ELE SAIU DESEMBESTADO ATRÁS DA MULHER, EU CRENTE QUE IA DAR ESPORRO, GRITAR, FAZER ESCÂNDALO, MAS ELE SÓ FAZ UMA CARETA!!!! FFFFFFUUUUU
À noite, fomos à panquequeria e comi, feliz, uma panqueca de frango e, ao final, uma de chocolate. Sempre acompanhado de guaraná Jesus.
Voltamos a casa do Ignácio e fim do dia.
*Interior do meu avô (expressão local): cidade do interior onde o avô nasceu.
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